No dia do Senhor

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São João, no Livro do Apocalipse – o “Livro das revelações” – escreveu: “No dia do Senhor, no Domingo, fui arrebatado pelo Espírito e ouvi atrás de mim, uma voz forte, como de trombeta, a qual dizia: ‘O que vais ver, escreve-o num livro”’ (Ap 1,10-11).  A séria de visões que o autor São João vai relatar no livro aconteceram no “no dia do Senhor”, isto é, no primeiro dia da semana em que Jesus ressuscitou e os cristãos se reuniam para celebrar a Ceia do Senhor (cf. At 20,7). É o nosso Domingo. A fé em Cristo ressuscitado se reaviva quando nos reunimos no Domingo a fim de participar na oração comum, alimentar-nos da Mesa da Palavra e da Mesa da Eucaristia na comunidade de fé – a Igreja.

O primeiro dia da semana, após o sábado, recebe já seu nome pelo adjetivo de Senhor: – kyriakós, dominicus –, ou seja, Domingo. São Lucas, no seu segundo Livro, “Atos dos Apóstolos”, quando descreve as viagens do missionário São Paulo, recorda-nos que “num domingo nos reunimos para a fração do pão” (At 20,7). Com efeito, é o primeiro dia da semana, “domingo” e se celebra a Eucaristia no salão de uma casa particular. No Novo Testamento, é a primeira menção de semelhante celebração no domingo, que corresponde ao dia da ressurreição (cf. Lc 24,1.36; Jo, 20,19.26; 1Cor 16,2).

“No primeiro dia da semana, o Ressuscitado dá início à nova Criação, no primeiro dia de uma nova semana; é o tempo de outra criação, desta vez definitiva. A criação do mundo havia durado seis dias e, no sétimo, Deus descansou. O “dia oitavo” é o dia primeiro da criação definitiva. A nova criação do ser humano, que Jesus realizou durante sua vida, culmina na cruz, no dia sexto, e chega à sua plenitude na Páscoa. Em Jesus ressuscitado, a Criação inteira chega à sua plenitude. O Ressuscitado é o Cristo Cósmico. S. Paulo vai dizer que “Cristo é tudo em todas as coisas” (Col. 3,11) e “tudo subsiste nele” (Col. 1,16). Ele recapitula tudo. Por isso a Epístola aos Efésios afirma: “importa unir sob uma só cabeça todas as coisas em Cristo” (1,10).

 

O preceito dominical

São João Paulo II, em 1998, na Carta Apostólica – “Dies Domini” – “Dia do Senhor”, sobre a santificação do Domingo, assim escreveu: Sendo a Eucaristia o verdadeiro coração do domingo, compreende-se por que razão, desde os primeiros séculos, os Pastores não cessaram de recordar aos seus fiéis a necessidade de participarem na assembleia litúrgica. “No dia do Senhor, deixai tudo e zelosamente correi à vossa assembleia, porque é o vosso louvor a Deus. Caso contrário, que desculpa terão junto de Deus aqueles que não se reúnem, no dia do Senhor, para ouvir a palavra de vida e nutrir-se do alimento divino que permanece eternamente?”. Geralmente o apelo dos Pastores foi recebido na alma dos fiéis com uma convicta adesão, e, se não faltaram tempos e situações em que diminuiu a tensão ideal no cumprimento deste dever, não se pode, todavia, deixar de recordar o autêntico heroísmo com que sacerdotes e fiéis observaram esta obrigação em muitas situações de perigo e restrição da liberdade religiosa, como se pode constatar desde os primeiros séculos da Igreja até aos nossos dias (cf. DD n. 46).

 

Dia da esperança como virtude

São João Paulo II associa-a ao Domingo. Deste ponto de vista, se o domingo é o dia da fé, é igualmente o dia da esperança cristã. A esperança cristã, vivida e alimentada com este intenso ritmo semanal, torna-se fermento e luz precisamente da esperança humana. E, coroando com a oferta eucarística do domingo o testemunho que, todos os dias da semana, os seus filhos, empenhados no trabalho e nos vários compromissos da vida, se esforçam por oferecer com o anúncio do Evangelho e a prática da caridade, a Igreja manifesta com maior evidência (cf. DD 38).

 

Dom Edgar Xavier Ertl – Diocese de Palmas-Francisco Beltrão

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