A inteligência artificial generativa está transformando a maneira como buscamos informações, resolvemos problemas e elaboramos ideias. No entanto, sua presença crescente levanta uma questão fundamental: o que acontece quando delegamos à tecnologia funções cognitivas que precisamos exercitar?
Sigman e Bilinkis (2023) utilizam o conceito de “sedentarismo cognitivo” como uma referência para compreender esse fenômeno. Assim como não deixamos de caminhar porque existem trens, também não deveríamos abandonar o raciocínio, a memória ou a elaboração de ideias porque contamos com ferramentas capazes de realizá-los por nós.
O desafio ganha especial relevância no âmbito educacional. O ChatGPT permite responder a propostas complexas, elaborar argumentos e produzir textos mesmo quando o estudante possui conhecimento limitado sobre o tema. Desse modo, a dificuldade já não consiste apenas em identificar se uma resposta foi gerada por IA, mas em avaliar se o estudante realmente compreendeu, raciocinou e construiu o conhecimento.
Por isso, mais do que proibir essas ferramentas, é necessário repensar as formas de ensinar e avaliar. O objetivo deve ser promover um uso da IA que complemente a aprendizagem, sem substituir aquelas capacidades intelectuais que os estudantes precisam desenvolver por meio da prática, da reflexão e do esforço pessoal.
Pe. Judinei Vanzeto, SAC- Jornalista

