Em períodos eleitorais, cabe a cada cidadão a responsabilidade de escolher representantes comprometidos com o bem comum. Mas o que significa a palavra candidato? De origem latina, o termo remete à toga candida, vestimenta branca usada na Roma Antiga por aqueles que disputavam cargos públicos, simbolizando pureza e integridade. Hoje, a pergunta permanece: quantos candidatos correspondem, de fato, à imagem que desejam transmitir?
Para além dos discursos e das promessas, é fundamental conhecer a trajetória dos candidatos, sua atuação pública e a coerência entre suas palavras e ações. O compromisso com a sociedade se demonstra por meio da honestidade, da responsabilidade, da transparência e da capacidade de colocar os interesses coletivos acima das vantagens pessoais.
É preciso desconfiar daqueles que se apresentam como salvadores da pátria, prometendo resolver todos os problemas, enquanto atribuem aos adversários todos os defeitos. A política democrática exige diálogo, confronto de ideias e apresentação de propostas viáveis, não ataques pessoais, acusações infundadas e disseminação de fake news.
Uma pergunta pode ajudar na escolha: quais são três razões concretas para votar neste candidato? Uma resposta consistente deve apresentar propostas realistas, explicar como serão executadas e demonstrar compromisso com a prestação de contas. Reconhecer limites não é sinal de fraqueza, mas de maturidade. Governar exige competência, diálogo, responsabilidade e trabalho em equipe.
O eleitor também precisa questionar as prioridades de cada candidato, a aplicação dos recursos públicos e os mecanismos de transparência que pretende adotar. Afinal, a eloquência não garante honestidade, assim como promessas grandiosas não asseguram resultados.
Outro aspecto fundamental é o combate à compra e à venda de votos. Oferecer dinheiro, presentes ou vantagens em troca do voto constitui crime eleitoral e compromete a liberdade de escolha. Essa prática transforma um direito político em mercadoria e favorece interesses particulares em prejuízo de toda a sociedade.
A democracia não termina nas urnas. Ela exige participação cidadã, fiscalização dos gastos públicos e acompanhamento permanente dos representantes eleitos. Por isso, a educação, o acesso à informação e o diálogo são essenciais para formar cidadãos capazes de distinguir propostas consistentes de promessas vazias.
Diante de candidatos de vestes brancas e soluções fáceis, precisamos olhar além das aparências, avaliar trajetórias e escolher com consciência e responsabilidade. Afinal, o voto não tem preço, mas tem consequências. Que nossas escolhas contribuam para uma política mais ética, transparente e comprometida com o bem comum e com o cuidado da Casa Comum.
Pe. Judinei Vanzeto, SAC – Jornalista

