Fazei resplandecer a santidade de Deus

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A Sagrada Escritura refere-se, muitas vezes, ao chamado à santidade: “Pois esta é a vontade de Deus: a vossa santificação” (1Ts 4,3).  Mas quem são de fato os santos e santas? “Os santos são aqueles que recomeçaram a cada dia” (Carlo Rocchetta). Santas e santos existem.  Para o cristianismo, santos são os que conseguem pautar sua vida no seguimento de Jesus Cristo que passou, entre os seus, fazendo o bem (cf. At 10,38). “Santo são aqueles que abrem a porta pelo lado de dentro do coração e deixam o amor atuar, numa resposta livre e generosa. Correm o risco do amor, procurando amar como Jesus, mesmo desconhecendo em que direção a vida mudará” (Ir. Maria Carmem Castanheira Avelar). “A eucaristia é o segredo da santidade” (Papa Bento XVI).

O Concílio Ecumênico Vaticano II (1962-1965), na Constituição Dogmática Lumen Gentium, todo o Cap. V (nn. 39-41), dedica e afirma que a vocação à santidade é Universal – todos devem participar da santidade. “É assim evidente que todos os fiéis cristãos de qualquer estado ou ordem são chamados à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade. Por esta santidade se promove também na sociedade terrestre um modo mais humano de viver. Com o fim de conseguir esta perfeição façam os fiéis uso das forças recebidas segundo a medida da doação de Cristo, para que, seguindo Seus vestígios e feitos conformes à Sua imagem, cumprindo em tudo a vontade do Pai, se de­diquem inteiramente à glória de Deus e ao serviço do  próximo. Assim a santidade do Povo de Deus se expandirá em abundantes frutos, como se demonstra luminosamente na história da Igreja pela vida de tan­tos Santos” (LG 40).  Noutra passagem completa o documento: “Todos os fiéis cristãos nas suas condições, ofícios ou circunstâncias de sua vida, e através disto tudo, dia a dia mais se santificarão, se, com fé […] aceitam e cooperam com a vontade divina, manifestando a todos, no próprio serviço temporal, a caridade com que Deus amou o mundo” (LG 41).

 

A santidade pertence só a Deus

Ela designa o brilho de sua potência, a perfeição de seu poder. Só Ele tem o poder de fazer participar de sua santidade aqueles que ele chamar para viver na sua presença. E para nós homens e mulheres, suas criaturas, a santidade consiste em participar da sua vida divina. João diz a este respeito: “Seremos semelhantes a ele, já que o veremos tal como ele é” (1Jo 3,2). E a Igreja, na Constituição Dogmática Lumen gentiun define a santidade como a “união perfeita com Cristo” (LG 50). “Entre estes, em todos os tempos, Deus escolhe muitos para que, seguindo mais de perto o exemplo de Cristo, deem testemunho glorioso do Reino dos céus com o derramamento de sangue ou com o exercício heroico das virtudes” (São João Paulo II).

O Documento de Aparecida (2007) confirma a legitimidade e a relevância da devoção aos santos e santas de Deus, declarando: “Suas vidas são lugares privilegiados de encontro com Jesus Cristo” (DA 237). Ainda “seu exemplo de vida e santidade constitui um presente precioso para o caminho cristão dos latino-americanos e, simultaneamente, um estímulo para imitar suas virtudes nas novas expressões culturais da história” (DA 275).

O Papa Francisco, de saudosa memória, disse que a santidade não é uma prerrogativa para alguns escolhidos de Deus, tais como os bispos, sacerdotes, religiosas/os, pessoas dedicadas à oração, à contemplação. Francisco caracteriza-nos quem são os chamados à santidade: “Todos somos chamados a ser santos, vivendo com amor e oferecendo o próprio testemunho nas ocupações de cada dia, onde cada um se encontra. És uma consagrada ou um consagrado? Sê santo, vivendo com alegria a tua doação. Estás casado? Sê santo, amando e cuidando do teu marido ou da tua esposa. És um trabalhador? Sê santo, cumprindo com honestidade e competência o teu trabalho ao serviço dos irmãos. Sê santo, lutando pelo bem comum e renunciando aos teus interesses pessoais”.

Dom Edgar Xavier Ertl – Diocese de Palmas-Francisco Beltrão

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