Era uma vez uma linha. Simples, tímida, nascida do gesto de uma mão curiosa sobre as pedras, nas cavernas. Essa foi a primeira tela: o desenho. Nela, o mundo era inventado com traços e imaginação. Cada risco contava uma história, cada cor era um sentimento. O artista era o criador e o espectador, um viajante pelo universo.
Mas a linha queria falar. Queria nomear o que via. Assim nasceu a segunda tela: a escrita. As palavras começaram a habitar o espaço visual, transformando traços em ideias, sons em símbolos, histórias em memória. O olhar já não apenas via — ele lia. E a tela deixou de ser apenas imagem: tornou-se pensamento.
O tempo passou, e a imagem ganhou movimento. A luz dançou sobre a parede, revelando o milagre da terceira tela: o cinema. Agora, a história respirava, falava, chorava. Milhares de olhos compartilhavam o mesmo sonho, na mesma sala escura. O desenho e a escrita se uniram para criar mundos inteiros — e o olhar se apaixonou pela ilusão viva da tela grande.
Mas o olhar não quis mais esperar a próxima sessão. Quis carregar o mundo no bolso. Assim nasceu a quarta tela: o celular. Pequena, íntima, infinita. A história agora cabe na palma da mão — e cada um se torna autor e público ao mesmo tempo. A luz da tela reflete nos rostos, não mais na parede. O cinema virou selfie, o texto virou mensagem, o desenho virou toque.
E assim seguimos, atravessando telas, recriando olhares. Porque, no fim, a tela muda — mas o desejo de contar histórias permanece o mesmo: o de transformar o invisível em imagem e o instante em eternidade.
Como estamos usando esta tela? Com sabedoria do coração?
Por Judinei Vanzeto, SAC – Padre Palotino, Jornalista, Mestrando em Comunicação e Cultura pela Universidade Buenos Aires, Argentina.

