Era uma tarde tranquila de Advento quando começamos a montar o presépio. O gesto simples escondia um caminho interior profundo. Primeiro, colocamos os minerais: a areia, as pedras, a gruta. Ali estava a criação silenciosa, base de tudo o que existe. Lembrei-me das palavras do Gênesis: “No princípio, Deus criou o céu e a terra” (Gn 1,1). A pedra fria parecia dizer que até o que parece inerte guarda a promessa da vida.
Em seguida, colocamos os animais: o boi paciente, o jumento humilde, as ovelhas atentas. Havia algo de terno naquele cenário. Recordei que a criação inteira espera a redenção: “A própria criação geme e sofre as dores de parto” (Rm 8,22). Eles nos ensinavam a acolher o Mistério com simplicidade.
Depois veio o humano. Colocamos Maria, com o olhar sereno; José, vigilante; e os pastores, com suas mãos gastas pelo trabalho. Em cada rosto, um pedaço da nossa história. Pensei no anúncio do anjo: “Não temas, Maria, porque encontraste graça diante de Deus” (Lc 1,30). Ali estava a humanidade inteira representada: frágil, mas escolhida.
Por último, chegou o momento mais esperado: colocar o divino, o Menino. Pequeno, vulnerável, envolto em faixas — Deus feito carne. Então ecoaram em meu coração as palavras de João: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1,14). Ao colocá-Lo no centro, tudo ao redor fez sentido: o mineral sustentou, o animal aqueceu, o humano aguardou, e o divino iluminou.
Quando terminamos, percebi que não havíamos montado apenas um presépio. Havíamos reconstruído, passo a passo, o caminho da salvação. Cada peça se tornou um convite silencioso para acolher o Deus que vem, discretamente, transformar o mundo a partir de dentro.
Por Judinei Vanzeto, SAC – Padre Palotino, Jornalista, Mestrando em Comunicação e Cultura pela Universidade Buenos Aires, Argentina.

