Padre Lino Baggio

Campanha da Fraternidade 2026

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Na Quarta-Feira de Cinzas teve início mais uma edição da Campanha da Fraternidade (CF), que neste ano tem como tema: “Fraternidade e Moradia”; e o lema: “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14). O objetivo da Igreja é promover uma ampla reflexão sobre as condições de moradia no Brasil, visando superar o grande déficit habitacional ainda existente e erradicar o drama da população que vive na rua, um desafio ético para todo o país.

De acordo com o Texto-Base da CF 2026, 6 milhões de famílias “necessitam hoje de uma moradia, por estarem em habitação precária, em coabitação ou com aluguel excessivamente caro, o que representa 8,3% dos domicílios existentes no País”.

Somam-se a essas, continua o documento, “outras 26 milhões de famílias que moram em situação inadequada: em áreas de risco, sem infraestrutura ou com infraestrutura insuficiente, segregação social, longe de equipamentos públicos e sem as políticas públicas básicas, com forte influência do crime organizado, entre outros”.

Além disso, existem mais de 300 mil pessoas vivendo na rua, número que cresceu expressivamente nos últimos dez anos. Houve, claro, o impacto da pandemia da Covid-19, que agravou a situação de muitas pessoas em condição de vulnerabilidade.

A CF também quer chamar a atenção para a situação dos 8,9 milhões de brasileiros vivendo nas chamadas áreas de risco, de acordo com números do Ministério das Cidades. O Texto-Base da Campanha nota que tradicionalmente, no planejamento urbano, “os piores lugares, como encostas, alagadiços, áreas da periferia, são reservados aos pobres”.

Uma preocupação especial, de fato, está no enorme contingente de população em situação de rua, sem moradia. Diz o Texto-Base: “Segundo um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), a maior concentração de pessoas em situação de rua está nas grandes cidades e regiões metropolitanas do país, especialmente em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador e Brasília”.

É enorme, do mesmo modo, a população que vive em favelas, sem acesso a totais condições dignas. São mais de 16 milhões de pessoas morando em favelas, de acordo com o Censo 2022. São mais de 12 mil favelas e comunidades urbanas, correspondendo a 8,1% da população brasileira, conforme o Censo.

Diante de todos esses números, a CF de 2026 apresenta uma série de sugestões de políticas públicas e ações por parte das autoridades, empresários e da sociedade civil, como forma de equacionar o drama habitacional brasileiro. O argumento é simples: moradia digna é um direito humano fundamental. Porém, ela só nos mobiliza verdadeiramente quando reconhecemos no outro um irmão, uma irmã. A pergunta por um teto nasce da fraternidade. É este laço que a CF quer fortalecer: o da solidariedade concreta, que nos torna próximos daqueles que vivem à margem, sem-casa, sem-terra, sem-cidade.

Enfim, a CF propõe uma grande reflexão nacional sobre as condições de moradia, de modo que haja maior acesso da população, ainda sem habitação adequada, a políticas públicas apropriadas e que essas políticas considerem os desafios contemporâneos, como os decorrentes das mudanças climáticas; por exemplo, as enchentes que afetam sobretudo as populações mais vulneráveis.

A CF foi criada em 1962, no Rio Grande do Norte, por iniciativa de D. Eugênio de Araújo Salles, então Bispo-Auxiliar da Arquidiocese de Natal. A partir daí, a Campanha se tornou nacional e a cada ano a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) propõe um tema para discussão nas comunidades católicas, gerando ações concretas de transformação.

Muitas mudanças ocorreram em função dessas Campanhas, que já tiveram temas em Saúde, Meio Ambiente, Educação e outras áreas. A CF de 2026 também sinaliza para muita discussão e ações concretas, visando mudar o panorama da habitação no Brasil.

Pe. Lino Baggio, SAC

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