Sob a perspectiva da Igreja Católica, instituição milenar com forte influência ética e moral no cenário global, também se apresenta uma contribuição relevante para o debate sobre a regulação da inteligência artificial (IA). Em janeiro de 2025, o Dicastério para a Doutrina da Fé, em colaboração com o Dicastério para a Cultura e a Educação e com a aprovação do Papa Francisco, publicou a nota doutrinal Antiqua et Nova – Nota sobre a relação entre a Inteligência Artificial e a Inteligência Humana. O documento, composto por 117 parágrafos, dirige-se a educadores, acadêmicos, líderes religiosos e aos fiéis em geral, propondo uma reflexão ética profunda sobre os impactos da IA na sociedade contemporânea.
O texto reconhece os benefícios potenciais da IA, especialmente em áreas como saúde, educação e desenvolvimento científico. Contudo, alerta para riscos significativos, como a concentração de poder tecnológico nas mãos de grandes empresas, a opacidade dos algoritmos, a disseminação de desinformação e o uso bélico da tecnologia, sobretudo no caso das armas autônomas letais. A Igreja destaca a necessidade de uma regulação que garanta a centralidade da dignidade humana e a proteção do bem comum.
Além disso, o documento enfatiza que a IA não deve ser tratada como pessoa nem substituir as relações humanas. A IA deve permanecer um instrumento a serviço da humanidade, complementando, e jamais substituindo, a inteligência humana. Dessa forma, a Igreja propõe uma visão ética na qual o progresso tecnológico esteja subordinado a princípios morais, assegurando que a inovação caminhe lado a lado com a responsabilidade e a promoção da vida humana.
Por Pe. Judinei Vanzeto, SAC – Jornalista. Mestrando em Comunicação e Cultura pela Universidade de Buenos Aires, Argentina.

