A noite em que o debate virou silêncio

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Era mais uma noite comum. A televisão ligada, o celular na mão, as redes sociais fervendo, provocando ódio e divisão no coração. Entre notícias, opiniões inflamadas e ataques, o tom era sempre o mesmo: alguém precisava ser derrotado. Não convencido, não ouvido, derrotado.

Aos poucos, esse clima foi deixando de existir apenas na esfera pública. No Brasil, a crescente polarização política transformou adversários em inimigos. Partidos e lideranças passaram a incentivar discursos de ódio, substituindo o debate pelo confronto. Nas redes sociais, as “bolhas” reforçam essa lógica: nelas, circulam desinformação, meias-verdades e narrativas que alimentam a intolerância (PNUD, 2023).

Mas essa história não termina na política partidária. Ela atravessa a porta de casa.

Em muitos lares, o ambiente de tensão e agressividade encontra terreno fértil em relações já marcadas por desigualdades. A violência doméstica cresce silenciosamente, e, em sua forma mais extrema, se transforma em feminicídio. Não é um evento isolado, mas o reflexo de uma cultura que, pouco a pouco, passou a normalizar a violência e a desumanização do outro.

Os números confirmam o que muitas histórias já denunciam. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (2023), os índices de violência contra a mulher seguem elevados. A ONU Mulheres (2022) alerta que se trata de um problema estrutural global, agravado por crises e pela fragilidade das redes de apoio.

Mudar esse roteiro exige reescrever a forma como convivemos. Recuperar o diálogo, exercitar a escuta, reconhecer o outro como legítimo.

Porque toda mudança coletiva começa, inevitavelmente, dentro de cada um de nós.

 

Por Pe. Judinei Vanzeto, SAC – Jornalista. Mestrando em Comunicação e Cultura pela Universidade de Buenos Aires, Argentina.

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