Em 1955, o Papa Pio XII instituiu a festa de “São José Operário”, para dar um protetor aos trabalhadores e um sentido cristão à “festa do trabalho”. Uma vez que todas as nações celebram tal festa a primeiro de maio. A celebração é uma memória litúrgica na Igreja Católica chamada de “facultativa”. Figura de São José, o humilde e grande artesão de Nazaré, orienta para Jesus Cristo, seu Filho e Salvador da humanidade, Filho de Deus, que participou em tudo da condição humana. Destarte, é afirmado antes de tudo que o trabalho dá às pessoas o maravilhoso poder de participar na obra criadora de Deus e de aprimorá-la; que ele possui autêntico valor humano. O homem moderno tomou consciência deste valor, ao reivindicar o respeito aos seus direitos e à sua personalidade que não é máquina robótica, mas pessoa/gente.
A Igreja “batiza” neste 01 de maio a festa do trabalho para proclamar o real valor do trabalho, aprovar e bendizer a ação das classes trabalhadoras na luta que, em alguns países, como o Brasil, prosseguem para obter maior justiça e liberdade. Fálo também para pedir a todos os fiéis que reflitam sobre os ensinamentos do Magistério eclesiástico nestes tempos em que a classe trabalhadora, sobretudo, os pobres têm sofrido às entranhas, com salários baixos e uma sobrecarga nas horas trabalhadas. Algumas referências da contribuição do Magistério com o trabalho devemos às encíclicas papais: o Papa Leão XIII, com a Rerum Novarum, São João XXIII, com a Mater et Magistra e São Paulo VI com a Populorum Progressio, São João Paulo II, Laborem Exercens e o Papa Francisco, com a Fratelli Tutti.
100 anos da Rerum Novarum
São João Paulo II escreveu na introdução da Laborem Exercens que “é mediante o trabalho que o homem deve procurar-se o pão quotidiano e contribuir para o progresso contínuo das ciências e da técnica e, sobretudo, para a incessante elevação cultural e moral da sociedade, na qual vive em comunidade com os próprios irmãos. O trabalho é uma das características que distinguem o homem do resto das criaturas, cuja atividade, relacionada com a manutenção da própria vida, não se pode chamar trabalho; somente o homem tem capacidade para o trabalho e somente o homem o realiza preenchendo ao mesmo tempo com ele a sua existência sobre a terra. Assim, o trabalho comporta em si uma marca particular do homem e da humanidade, a marca de uma pessoa que opera numa comunidade de pessoas; e uma tal marca determina a qualificação interior do mesmo trabalho e, em certo sentido, constitui a sua própria natureza” (LE, n. 01).
Preocupação dos bispos do Brasil
Na mensagem ao “Povo Brasileiro”, durante a 62ª Assembleia Geral, de 15 a 24 de abril de 2026, em Aparecida/SP, os bispos escreveram que “preocupa-nos a discussão no Supremo Tribunal Federal sobre a susbstituição de contratos de trabalho regidos pela Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) por vínculos precários de prestação de serviços, conhecidos como ‘pejotização’. Onde desaparece o Estado, vigora a lei do mais forte. Da mesma forma, é necessário reafirmar o direito sagrado ao repouso, oferecendo escalas de atividades que permitam aos trabalhadores melhor qualidade de vida e mais tempo com as suas familias”.
Unamo-nos a muitos homens e mulheres, que comemoram o Dia do Trabalhador, a “Festa do Trabalho”, neste 01 de maio, por aqueles que lutam pela justiça no trabalho, por aqueles – bons empresários – que realizam o trabalho com justiça, mesmo que tenham prejuízo, e são capazes de reflexão sábia/inteligente e, sem ideologias, sobre a situações de seus dependentes. Enfim, na festa de São José Operário e o Dia do Trabalhador, rezemos por todos os trabalhadores do Sudoeste do Paraná, para que não falte trabalho a ninguém e que todos sejam pagos com justiça e beneficiem-se da dignidade do trabalho e da beleza do descanso.
Dom Edgar Xavier Ertl – Diocese de Palmas-Francisco Beltrão

