Tempo Pascal: O mistério sempre presente!

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Estamos chegando ao final do Tempo Pascal, neste magnifico “Domingo sem fim”, o dia da Páscoa sendo celebrado em cinquenta dias como se fosse um único dia! A Igreja, nossa mãe na fé e no seguimento a Jesus Cristo Ressuscitado, oferece a todos, bispos, sacerdotes, diáconos, vida consagrada e fiéis, esse Tempo Pascal como oportunidade de conservar, com a graça do Espírito Santo, um olhar capaz de ver o Mistério, olhos novos para enxergar a presença do Ressuscitado.

A seguir, nossa reflexão se pauta no modo como o Ressuscitado continua a viver hoje, 2026, neste tempo de nossa história. Antes de tudo nas Escrituras, porque é Ele quem fala quando a Palavra de Deus é anunciada na Igreja, nossa comunidade de fé. Ela, no poder do Espírito Santo, proclamada na assembleia litúrgica, não é letra morta, mas Palavra viva que revive no Cristo Vivo. O que é a Liturgia da Palavra senão o diálogo interpessoal com Cristo, Palavra viva? A Deus que fala, por intermédio das leituras, o povo responde com cânticos e a Ele adere com a profissão de fé.

 

Todas as vezes…

O Corpo do Ressuscitado está presente na Eucaristia: na tradução latina, os textos do Novo Testamento indicam a presença do Ressuscitado com o advérbio – [todas as vezes]: “Todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes deste cálice, estareis proclamando a Morte do Senhor, até que ele venha” (1Cor 11,26). A missa renova o evento da cruz ao celebrá-lo e celebra-o ao renová-lo. São Paulo VI, na Encíclica Mistério da fé, quando afirma que “no mistério Eucarístico está representado de modo admirável o Sacrifício da Cruz consumado de uma vez por todas no Calvário” (n. 27), usa o verbo “representar” entendido no sentido forte de representar, ou seja, tornar novamente presente. O evento ocorreu apenas uma vez, o Sacramento ocorre “toda vez”. Graças ao Sacramento da Eucaristia, tornamo-nos mistericamente contemporâneos do evento; o evento se torna presente a nós e nós ao evento.

Outro aspecto da presença viva do Ressuscitado é a Igreja. É ainda mais sintomático que a expressão “toda vez”, utilizada para indicar a presença de Cristo no seu Corpo eucarístico, seja a mesma para identificar a presença de Cristo no seu Corpo eclesial. Em sua mensagem à comunidade de Corinto, Paulo denuncia as “divisões”, pois causavam discriminação entre os pobres e abastados: enquanto os pobres passavam fome, esses comiam e bebiam até se embriagarem, alegando, porém, participar juntos na mesma Eucaristia. O Apóstolo argumenta forte e inequivocadamente: como podeis alegar reconhecer Cristo no seu Corpo eucarístico, quando não sois capazes de reconhecê-lo no seu Corpo eclesial? Expressão privilegiada do seu Corpo eclesial são principalmente os pobres e os mais necessitados de caridade. E é necessariamente nessa expressão privilegiada do seu Corpo eclesial que o Ressuscitado prometeu estar presente recorrendo à expressão “toda as vezes que…”, para significar a simultaneidade da ação feita aos necessitados e a Cristo: “Todas as vezes que fizestes isso a um destes mínimos que são meus irmãos, foi a mim que o fizestes” (Mt 25,40).

 

A Esperança tem um nome forte

O Tempo litúrgico da Páscoa, impregnado da presença do Ressuscitado, envolve o tempo do homem, o nosso tempo, com um impulso protetor, a fim de que a confiança não esmoreça, a esperança não se abale e a caridade não se renda. Podemos caminhar pelas estradas da vida graças à esperança que nos permite manter uma postura ereta, de ressuscitados, e olharmos para o futuro com confiança. Para caminhar como peregrinos rumo a um destino, é importante sentir-nos amparados pela esperança. E a esperança para nós cristãos, tem um nome: chama-se Jesus Cristo Ressuscitado!

Preces de gratidão pelas mães da Diocese de Palmas-Francisco Beltrão! Parabéns, Mamães!

Dom Edgar Xavier Ertl – Diocese de Palmas-Francisco Beltrão

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