Padre Lino Baggio

Veja o que aconteceu com a onça

Share:

Havia, certa vez, uma onça que sabia de tudo o que acontecia nos matos. Tudo ela percebia e criticava. Um dia, aquela onça, começou a sentir a visão meio cansada, enxergando pouco, e procurou um oftalmologista. Este resolveu fazer uma cirurgia nos olhos dela. Terminada a recuperação da cirurgia, a onça se mandou novamente para o mato.

No entanto, algo muito estranho estava acontecendo. Agora, ela enxergava muito mais defeitos, coisas horríveis. “Será que os bichos pioraram?”, pensava ela. Eram tantos os defeitos que ela enxergava que, inquieta, procurou novamente o oftalmologista.

Ele examinou seus olhos e disse: “Dona onça, a senhora me desculpe. O erro foi meu. Quando fiz a cirurgia, eu me distraí e coloquei seus olhos voltados para dentro. Por isso que a senhora estranhou, pois está vendo a si mesma”. E recolocou os olhos na posição certa.

A onça voltou novamente para a floresta, mas agora era mais cautelosa ao criticar os demais bichos, pois sabia que seus defeitos eram bem maiores.

Que sejamos rigorosos conosco mesmos, mas muito condescendentes e compreensivos diante das falhas alheias. Jesus nos alerta: “Por que vês tu o cisco no olho do teu irmão, e não percebes a trave que há no teu próprio olho?” (Lc 6, 41).

A mesma pessoa que vê um cisquinho no olho alheio, não raro nem percebe o pedaço de madeira existente em seu próprio olho. Jesus denuncia tal hipocrisia. Ele aconselha, a quem assim age, a tirar o cisco que tem nos olhos, para poder ver bastante bem o que se passa com os outros.

Evidentemente, quando a pessoa é capaz de perceber seus defeitos pessoais, será cautelosa em censurar o próximo. É muito melhor perceber um defeito em si mesmo, do que dezenas no outro, pois o seu defeito você pode mudar. Aliás, Jesus Cristo teve problemas com pessoas que se consideravam boas, melhores que os outros. Os pecadores não lhe deram problemas. Os hipócritas não se dão conta da gravidade do que fazem, por isso julgam-se perfeitos e no direito de corrigir os outros. O discípulo de Jesus, ao contrário, é parcimonioso quando se trata de descobrir o pecado alheio. Ele tem consciência de ser objeto da misericórdia divina e, por isso, sabe também ser misericordioso e paciente com os demais. Se ficarmos reparando os defeitos das outras pessoas, nunca iremos participar de nada, pois vamos nos contentar com as nossas desculpas.

É muito melhor perceber um defeito em si mesmo, do que dezenas no outro, pois o seu defeito você pode mudar. Por isso, seja humilde para admitir os seus erros, inteligente para aprender com eles e maduro para corrigi-los.

 

Pe. Lino Baggio, SAC

    Deixe um comentário

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *