No primeiro dia de aula após a implementação de um novo sistema de Inteligência Artificial (IA), Clara Maria, professora de Filosofia, entrou na sala e percebeu algo diferente. Os alunos estavam conectados, atentos às telas que prometiam respostas instantâneas, resumos perfeitos e análises automáticas. A universidade parecia mais eficiente do que nunca. Mas Clara se perguntava: estaria também mais humana?
Inspirada pelas reflexões de Inteligência artificial e universidade: o futuro do humano, de Carlos Javier Regazzoni (2025), ela decidiu propor um desafio incomum. Em vez de pedir um trabalho produzido com auxílio irrestrito da IA, convidou os estudantes a refletirem sobre como a tecnologia moldava seus pensamentos. “Não basta usar a ferramenta”, disse ela. “Precisamos compreendê-la e questioná-la.”
Ao longo do semestre, os debates se intensificaram. A IA ajudava na pesquisa, organizava dados, sugeria hipóteses. Contudo, eram as conversas, as dúvidas e até os silêncios que despertavam algo mais profundo: a consciência crítica. Os alunos começaram a perceber que aprender não era apenas acumular informações, mas formar critérios, valores e responsabilidade.
No último encontro, Clara ouviu de um estudante: “A IA nos dá respostas, mas a universidade nos ensina a fazer perguntas.” Sorriu. Ali estava o verdadeiro papel da instituição: não competir com as máquinas, mas preservar e cultivar o humano em meio à automação do conhecimento.
Enfim, em nossos dias, como os estudantes estão utilizando a IA?
Por Pe. Judinei Vanzeto, SAC – Jornalista. Mestrando em Comunicação e Cultura pela Universidade de Buenos Aires, Argentina.

