Até quando o Sudoeste do Paraná fechará os olhos para as mortes nas rodovias?

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Entre os dias 13 e 18 de fevereiro, a Polícia Rodoviária Federal realizou a Operação Rodovida Carnaval 2026 nas rodovias federais do Paraná. O resultado acende um alerta: 14 mortes foram registradas, um aumento de 55% em relação ao Carnaval anterior, quando houve 9 óbitos. Em apenas seis dias, foram contabilizados 147 sinistros e 173 pessoas feridas.

Por trás dos números frios, existem histórias interrompidas pela imprudência. Cerca de 64% das mortes ocorreram em colisões frontais e atropelamentos. Embora tenham sido registradas apenas 11 colisões frontais, elas resultaram em 5 mortes, confirmando seu alto potencial letal. Ultrapassagens proibidas e excesso de velocidade seguem como principais vilões: 331 autuações por ultrapassagens irregulares e 12.367 flagrantes de motoristas acima do limite; muitos trafegando mais de 50% além da velocidade permitida.

Em uma rodovia com limite de 110 km/h, dirigir a 170 km/h significa perder metros decisivos no tempo de reação e ampliar drasticamente a distância de frenagem. À noite, quatro pedestres perderam a vida, evidenciando também a vulnerabilidade de quem está fora do veículo.

O cenário torna-se ainda mais preocupante ao se observar que, somente nos dois primeiros meses de 2026, o Sudoeste do Paraná já registra um número alarmante de acidentes e mortes, revelando que o problema não se restringe ao período festivo, mas reflete uma crise contínua de imprudência e fragilidade na prevenção.

Este artigo é fruto da análise dos dados levantados pelas Polícias Rodoviárias Federal e Estadual, referentes aos meses de janeiro e fevereiro de 2026. Diante desse cenário, torna-se cada vez mais necessária a priorização, por parte do Governo do Estado do Paraná, da segurança rodoviária, com a ampliação de investimentos, do efetivo e da presença nos pontos de fiscalização, bem como a adequada manutenção das rodovias, que, por vezes, não oferecem condições seguras aos motoristas. Também se espera maior engajamento do parlamento estadual e da imprensa na cobrança de políticas públicas consistentes.

Mais do que punir, é urgente educar, prevenir e conscientizar. Prudência não é apenas regra; é responsabilidade coletiva e compromisso com a vida.

Por Pe. Judinei Vanzeto, SAC – Jornalista

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