Jesus Cristo Ressuscitado manifesta-se na Assembleia Dominical

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A assembleia litúrgica que acontece todos os domingos, preferencialmente, como o “primeiro dia da salvação”, tem um itinerário, como mostra uma série de testemunho, a começar pelos Atos dos Apóstolos (cf. 2,42-47). A comunidade dos que creem se reúnem em torno de seu Senhor ressuscitado, tornando-se ela mesma lugar espiritual, o sacramento da sua presença. Ainda hoje somos fiéis ao ensinamento dos apóstolos, que ouvimos na liturgia da palavra através dos escritos e da palavra viva dos ministros; ainda hoje oramos em nome do Senhor Jesus, partimos juntos o pão sobre o qual fizemos a eucaristia, comungamos, ou deveríamos comungar os bens com os pobres, numa fraternidade autêntica. Ainda hoje, proclamamos na assembleia que Jesus é “Senhor” e “Deus”, anunciamos seu perdão e sua paz, somos enviados para dar testemunho da vida nova. A liturgia dominical se torna o lugar privilegiado de nosso encontro com o Senhor ressuscitado, que reconhecemos misteriosamente presente nos sinais da assembleia, da palavra do sacerdote, do pão e do vinho.

 

Um dia para o Senhor

Dois textos do Concílio Vaticano II (1962-1965) para legitimar com autoridade o Domingo, como “um dia para o Senhor Jesus Ressuscitado”. O primeiro da Constituição Sacrosanctum Concilium sobre a Sagrada Liturgia: “Assim como Cristo foi enviado pelo Pai, assim também Ele enviou os Apóstolos, cheios do Espírito Santo, não só para que, pregando o Evangelho a toda a criatura, anunciassem que o Filho de Deus, pela sua morte e ressurreição, nos libertara do poder de Satanás e da morte e nos introduzira no Reino do Pai, mas também para que realizassem a obra de salvação que anunciavam, mediante o sacrifício e os sacramentos, à volta dos quais gira toda a vida litúrgica” (SC n.6).

Na mesma Constituição Conciliar, quando o tema tratado é o “Domingo e festas do Senhor”, afirma que “por tradição apostólica, que nasceu do próprio dia da Ressurreição de Cristo, a Igreja celebra o mistério pascal a cada oito dias, no dia que bem se denomina dia do Senhor ou domingo. Neste dia devem os fiéis reunir-se para participarem na Eucaristia e ouvirem a palavra de Deus, e assim recordarem a Paixão, Ressurreição e glória do Senhor Jesus e darem graças a Deus que os “regenerou para uma esperança viva pela Ressurreição de Jesus Cristo de entre os mortos” (1Pd 1,3). O domingo é, pois, o principal dia de festa a propor e inculcar no espírito dos fiéis; seja também o dia da alegria e do repouso. Não deve ser sacrificado a outras celebrações que não sejam de máxima importância, porque o domingo é o fundamento e o centro de todo o ano litúrgico” (SC n. 106).

 

Uma assembleia dominical de pessoas livres

Reuniões, encontros e “assembleias” de todo espécie se verificam na vida política, social, cultural, nas cooperativas, associações e na vida religiosa. Em toda sociedade religiosa há reuniões periódicas consagradas à celebração do culto. Que sentido, afinal, tem a assembleia cristã, sobretudo, dos católicos, aos domingos? Tem surgido experiências novas de celebrações dominicais em muitas paróquias de nossa Igreja de Palmas-Francisco Beltrão, em que se sentem os fiéis verdadeiramente o espírito de comunidade de fé, percebem-se suas aspirações, o gosto de vibrar juntos, de viver juntos, de comunhão profunda. Devemos convencer-nos de que nossa assembleia dominical realiza valores absolutamente inéditos. Não é antes de tudo um encontro, uma celebração obrigatória do ponto de vista moral, de sermões e orações desconexas com o nosso cotidiano. É, antes de tudo, o sinal visível da celebração de todas as pessoas, para a qual convergem oração, pregações/catequeses homiléticas. É o “sinal” da presença do Senhor ressuscitado, e este comunica e imprime à assembleia seu dinamismo, sua alegria, sua vitalidade irradiante de testemunho. Se saímos da celebração dominical com o coração frio, tal como entramos, é sinal de que faltou algo de essencial. De que, ao menos em parte a assembleia falhou ou minha pré-disposição aos atos litúrgicos estão ainda numa fase embrionária.

Dom Edgar Xavier Ertl – Diocese de Palmas-Francisco Beltrão

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