O mês de setembro, para nós, católicos do Brasil, é dedicado à Bíblia. No último domingo de setembro se comemora o dia do Livro Sagrado. Este mês foi escolhido como mês da Bíblia porque no dia 30 comemora-se o dia de São Jerônimo. Este foi um grande biblista. Foi o primeiro a traduzir a Bíblia dos originais (hebraico e grego) para o latim. Fato muito importante, pois, naquela época, era a língua mais falada e usada no mundo e na liturgia da Igreja. Hoje, a Bíblia é o único livro que está, praticamente, traduzido para todas as línguas. É, também, o livro mais vendido, distribuído e impresso em toda história da humanidade.
A Bíblia é a Palavra de Deus – fruto da comunicação entre Deus e a humanidade. É a revelação amorosa de Deus para seu povo. “Deus, na sua bondade e sabedoria, quis se revelar e dar a conhecer o mistério da salvação” (Ef 1,9). A Constituição Dogmática Dei Verbum, do Concílio Vaticano II, afirma que toda a Sagrada Escritura contém verdades reveladas por Deus e inspiradas pelo Espírito Santo. Por isso, se deve acreditar que os Livros da Escritura, divinamente inspirados, são úteis para ensinar, para corrigir, para instruir na justiça e na perfeição.
A cada ano, a Igreja Católica no Brasil celebra o Mês da Bíblia — um período dedicado ao aprofundamento da Sagrada Escritura em paróquias, comunidades, seminários e instituições de ensino. Este ano, o livro escolhido pela Comissão Episcopal para Animação Bíblico-Catequética da CNBB é o Livro de Daniel, com o lema: “Seu reino jamais será destruído” (Dn 7,14).
A escolha não é arbitrária. Daniel é um livro de resistência espiritual: foi escrito em um período de perseguição religiosa, para fortalecer a fé de um povo que enfrentava pressões para abandonar sua identidade e se render aos poderes dominantes. Sua mensagem central é: a fidelidade a Deus sustenta o ser humano mesmo nas situações mais adversas.
Vivemos em um tempo de múltiplas pressões sobre a fé: relativismo cultural, secularização acelerada, fragmentação das comunidades, crises institucionais. Nesse contexto, Daniel oferece uma sabedoria preciosa: não a da fuga do mundo, mas a da presença fiel no meio do mundo, sem se deixar absorver por ele.
O profeta Daniel é apresentado no livro como um jovem que vive na corte babilônica, imerso em uma cultura estrangeira e potencialmente hostil à sua fé, e ainda assim mantém sua integridade, sua oração e seu compromisso com Deus. É uma figura que fala diretamente a quem vive a fé em contextos plurais e desafiadores.
Que nossas comunidades se aprofundem no conhecimento do Livro de Daniel e amem a Sagrada Escritura, cultivando a leitura orante, preparando com zelo a proclamação litúrgica e deixando-se transformar pela força da Palavra. Quem crê que o Reino jamais será destruído não se deixa vencer pelo medo, mas persevera na justiça, na caridade e na esperança. Que a Palavra proclamada e a Eucaristia celebrada renovem em nós esta certeza: o Reino do Senhor permanece para sempre.
Portanto, vamos valorizar a Palavra de Deus para rezar, refletir e estudar. Que o mês de setembro nos desperte e anime para mantermos contato, o ano todo, com a Bíblia Sagrada.
Pe. Lino Baggio, SAC

