Na fila do Menino Jesus

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Entrar e aguardar numa fila é algo normal, para a grande maioria das pessoas. São tantas filas, em tantos lugares, para tantas coisas. Saber esperar na fila é um exercício de paciência. Em algumas épocas, elas se tornam terrivelmente longas. Nem sempre o bom humor acompanha o lento andar das filas. Nos dias que antecedem o Natal, em geral as filas são exageradas e as pessoas muito agitadas. Porém, nem todos os que estão nas filas sabem bem o que procuram. Não se dão conta de que talvez não seja necessário fila para encontrar o essencial.

A fila do Papai Noel é a mais frequentada. O mesmo não acontece com aquela do Menino Jesus. A triste constatação é sempre a mesma: a cada ano que passa, o material é mais desejado que o espiritual. Há mais Papai Noel do que Menino Jesus. Esta defasagem é sintomática. O caminho do equilíbrio é ainda muito longo. Nem mesmo a crise consegue amenizar o ímpeto consumista. Tornou-se algo arraigado, estruturado, que, parece, fugir do controle. Lembremo-nos, também, que o Papai Noel só aparece no Natal. Jesus está conosco ontem, hoje e sempre.

A fila de Jesus não tem atrativos, nem excessos. É muito simples. Porém, a cena é inspiradora: José, Maria e o Menino. O primeiro Natal não foi nada poético. Não havia lugar para eles na hospedaria. Uma simples gruta serviu de acolhida para o Filho de Deus. O coração dos pastores pulsou intensamente, os reis vieram do Oriente. A estrela brilhou com uma intensidade sem fim. Os confins do universo contemplaram uma única e decisiva ocorrência: o céu visitou a Terra. E os anjos cantaram glórias.

Para aqueles que crêem, a cada Natal a emoção retorna. O coração se enche de alegria. As famílias procuram se encontrar. Os abraços não são dispensados, pelo contrário, se tornam mais intensos. Procurar a fila de Jesus é tarefa de quem provou a espiritualidade e encontra menos sabor em outras filas. Quem encontrou a Luz não consegue mais andar tateando outros caminhos. Quando a espiritualidade aquece o mais profundo do ser, a gratidão se transforma em hino de louvor.

Na fila de Jesus, a vida experimenta a normalidade e a felicidade alcança a plenitude. Nada é mais grandioso do que reavivar o amor a Deus, que assumiu a condição humana. Já não há mais distância entre o céu e a Terra. A alegria é infinita, mesmo que as lágrimas sejam persistentes. Não esqueçamos: Natal é família, é paz, é solidariedade, é espiritualidade.

Por isso, neste terceiro domingo do Advento, o domingo da alegria, vamos transformando o nosso coração em presépio e não desviemos da fila que nos levará ao Menino Jesus.

 

Pe. Lino Baggio, SAC

 

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