O amor fiel de Deus, que nunca abandona seus filhos, mesmo na fragilidade da velhice, inspira o tema escolhido pelo Papa Leão XIV para a sexta edição do Dia Mundial dos Avós e dos Idosos, que será celebrada no domingo dia 26 de julho de 2026. A data coincide com a festa litúrgica de São Joaquim e Sant’Ana, avós de Jesus.
“Eu nunca te esquecerei” (Is 49,15) é o tema escolhido pelo Papa Leão XIV para o VI Dia Mundial dos Avós e dos Idosos. A informação foi divulgada no 10 de fevereiro de 2026, por meio de um comunicado do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida. A frase, extraída do livro do profeta Isaías, sublinha que o amor de Deus por cada pessoa jamais diminui, nem mesmo no tempo da velhice e da fragilidade. Segundo o comunicado, o versículo bíblico escolhido deseja ser uma mensagem de consolação e esperança para todos os avós e idosos, especialmente para aqueles que vivem na solidão ou se sentem esquecidos. Ao mesmo tempo, é também um apelo dirigido às famílias e às comunidades eclesiais para que não se esqueçam dos idosos, reconhecendo neles uma presença preciosa e uma verdadeira bênção.
Instituído pelo Papa Francisco em 2021, o Dia Mundial dos Avós e dos Idosos é celebrado todos os anos no quarto domingo de julho e se apresenta como uma oportunidade para fazer chegar aos idosos a proximidade da Igreja e para valorizar sua contribuição na vida das famílias e das comunidades. O Santo Padre convida as dioceses a celebrarem esta Jornada com uma liturgia eucarística na igreja catedral de cada Igreja particular. O Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida exorta ainda as Igrejas particulares, as associações e as comunidades eclesiais de todo o mundo a encontrarem, em seus contextos locais, formas adequadas de valorizar esta data.
Idosos: “novo povo”.
Na Audiência geral, no 23 de fevereiro de 2022, o Papa Francisco falou sobre o sentido e o valor da velhice. Há já algumas décadas que esta idade da vida diz respeito a um verdadeiro “novo povo” que são os idosos. Nunca antes fomos tão numerosos na história da humanidade. O risco de ser descartados é ainda mais frequente: nunca fomos tão numerosos como agora, nunca houve um risco tão grande como agora de sermos descartados. Os idosos são frequentemente vistos como “um peso”. Todos vivemos num presente em que coexistem crianças, jovens, adultos e idosos. Mas a proporção mudou: a longevidade tornou-se massa e, em grandes partes do mundo, a infância é distribuída em pequenas doses. Falámos também sobre o inverno demográfico.
Um desequilíbrio que tem muitas consequências. A cultura dominante tem como único modelo o jovem-adulto, isto é, um indivíduo que se faz por si mesmo e que permanece sempre jovem. Mas será verdade que a juventude contém o sentido pleno da vida, enquanto a velhice representa simplesmente o seu esvaziamento e perda? Será verdade? Será que só a juventude contém o sentido pleno da vida, e a velhice é o esvaziamento da vida, a perda da vida? A exaltação da juventude como única idade digna de encarnar o ideal humano, unida ao desprezo pela velhice vista como fragilidade, degradação ou deficiência, foi o ícone dominante dos totalitarismos do século XX. Já nos esquecemos disto?
A juventude é bela, mas a eterna juventude é uma alucinação muito perigosa. Ser ancião é tão importante – e belo – exatamente importante como ser jovem. Lembremo-nos disto. A aliança entre as gerações, que restitui ao humano todas as idades da vida, é a nossa dádiva perdida e devemos recuperá-la. Deve ser encontrada novamente, nesta cultura do descarte e nesta cultura da produtividade. A sabedoria do longo caminho que acompanha a velhice à sua despedida deve ser vivida como uma oferta de sentido para a vida, não consumida como a inércia da sua sobrevivência. Se a velhice não for restituída à dignidade de uma vida humanamente digna, está destinada a fechar-se num desânimo que rouba a todos o amor. Este desafio de humanidade e de civilização requer o nosso empenho e a ajuda de Deus. Peçamo-lo ao Espírito Santo.
Dom Edgar Xavier Ertl – Diocese de Palmas-Francisco Beltrão

