“Vinde a mim”

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Como anunciar o Evangelho em uma época de profundas mudanças culturais? Essa pergunta está no centro de Venite ad me — “Vinde a mim” —, documento publicado no dia 22 de outubro de 2026 pelo Dicastério para a Doutrina da Fé. Suas considerações convidam a Igreja a renovar a transmissão da fé, colocando Jesus Cristo no coração da missão.

A evangelização não consiste apenas em comunicar informações religiosas. Seu propósito é favorecer o encontro com Cristo vivo e ajudar cada pessoa a descobrir a alegria do Evangelho. A fé, recebida como dom, não pode ficar guardada: é transmitida de pessoa a pessoa, como a chama que acende outra, e de geração em geração. A Igreja a anuncia por meio da pregação, da liturgia, da caridade e da vida concreta de comunhão.

Esse testemunho começa muitas vezes em casa. Gestos simples — rezar juntos, ler o Evangelho, participar da Missa e cuidar dos necessitados — ajudam a tornar a fé parte da vida familiar. Pais e avós têm um papel essencial, mas essa transmissão já não acontece automaticamente: precisa ser cultivada com atenção e amor.

Também a comunidade cristã evangeliza quando acolhe, cuida de seus membros e mantém as portas abertas, sobretudo aos mais vulneráveis. Em um mundo marcado pela fragmentação, relações fraternas, amizade e partilha da Palavra oferecem espaços reais de pertença e de encontro. A liturgia, por sua vez, acompanha momentos importantes da vida e revela a riqueza espiritual da tradição católica.

Venite ad me recorda, assim, que transmitir a fé é uma missão de todo o povo de Deus. Não se trata simplesmente de conservar formas do passado, mas de testemunhar Cristo de modo compreensível em cada cultura e situação, com palavras e obras que deixem transparecer a luz do Evangelho.

Pe. Judinei Vanzeto, SAC – Jornalista

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